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O Brasil e o novo governo: é hora de expandir para outros mercados?

O Brasil todo espera que 2019 venha a ser o ano da recuperação econômica, e após quase cinco anos de paralisação, empresários industriais, em particular, estão em compasso de espera para dar andamento nos seus investimentos. Estamos às portas do mês de abril e nada parece indicar tal recuperação no curto prazo. Em recente conversa com um empresário de equipamentos industriais, ouvi que já não crê nessa recuperação em curto prazo. Por isso decidiram que precisam tomar um rumo que contorne a situação difícil que a empresa vive em consequência da crise.

Esse rumo pode ser o exterior. A empresa já exporta, mas a contribuição da receita em moeda forte ainda é pequena, e esse caminho pode ser alargado, é o que especulava o empresário.

Nossa análise é que o empresário acerta no atacado, mas não no varejo. Em tempos de crise, buscar receita em moeda forte, com todas as dificuldades inerentes – qualidade insuficiente para mercados maduros, complicada logística de entrega, competição feroz no primeiro mundo – ainda é um caminho saudável.

Mas essa decisão deveria ser tomada independente de tempos de crise, em especial num país onde crise econômica dura meia década, como no nosso país. E dessa forma, buscar novos mercados, métodos de gestão, tecnologia de ponta e uma economia vigorosa que compensa os custos de se instalar no exterior, deveriam ser ações contínuas na vida das empresas, ano após ano. Mesmo em tempos de bonança.

O empresário nacional, especialmente o da indústria, normalmente não se sente confortável em fazer negócios no exterior. Há barreiras óbvias como a língua, a diferente cultura de negócios, as distâncias. E partir para uma iniciativa de internacionalização, abrir um escritório de vendas no exterior, explorar um novo mercado, tudo isso sozinho, assusta ainda mais. Nós sempre afirmamos que é menos complicado do que parece, desde que se tenha um objetivo definido, um plano de negócio, um investimento mínimo e, claro, um parceiro com conhecimento daquele mercado.

Pretendemos ser esse parceiro, oferecendo conhecimento do ecossistema de negócios no exterior, tendo a infraestrutura de escritórios e comunicação a postos, abrindo os caminhos com governo, universidades, associações, mão de obra qualificada, fornecedores e potenciais clientes. E propondo em especial a imersão no mercado alvo, de modo a adquirir a familiaridade necessária, de resto, no nosso próprio país quando se abre qualquer negócio.

Mais do que dedicar algum investimento monetário, estamos falando de investir tempo para estabelecer os contatos e as conexões necessárias para levar o escritório, a fábrica, o produto ou a oferta para um novo mercado, retomando reuniões a partir do networking, sucessivamente, até se estabelecer um contrato que agrade ao parceiro local, ao cliente ou a qualquer participante do ecossistema que ajude a viabilizar seus negócios no exterior. E, finalmente, atingir o tão almejado incremento de receitas que, ainda por cima, é em moeda forte. Que melhor iniciativa para contornar a crise no país de origem?

 

Maurício Costa
Diretor de Atualização Tecnológica do HUB55