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Parceria com a Capes leva brasileiros para programa de doutorado em Yale

Desde agosto, cinco estudantes brasileiros de áreas biológicas e biomédicas estão na Universidade de Yale para cursarem um programa de doutorado pleno em suas áreas. Eles receberam financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – entidade do Ministério da Educação (MEC) que atua para expandir e consolidar programas de pós-graduação stricto sensu, e poderão permanecer por até seis anos no Programa Combinado de Ciências Biológicas e Biomédicas (BBS) com bolsa.

O processo seletivo para o programa aconteceu no ano passado e os nomes dos escolhidos foram divulgados no início de 2019. Os estudos envolvem campos distintos: neurologia, eletrofisiologia e comportamento, citologia e biologia celular, neurofisiologia, biologia molecular e biologia geral. Os alunos também poderão fazer outros cursos e participar de seminários em Yale, ampliando e diversificando seu conhecimento e, eventualmente, até abrindo novas possibilidades para suas pesquisas.

Conheça alguns deles:

Do cérebro para o software

O trabalho do engenheiro Antonio Henrique de Oliveira Fonseca une o conhecimento sobre o cérebro com o desenvolvimento da Inteligência Artificial (AI), ou seja, as Ciências da Computação com a Biologia. A ideia é chegar a um entendimento de como o cérebro funciona. “Alguém com o conhecimento de desenvolvimento de software e uma base em métodos computacionais tem muito a contribuir para responder às perguntas que existem na parte biológica”, afirma.

Ele cursou a Escola de Engenharia da Universidade Federal do ABC, em Santo André (SP). Depois entrou no Departamento de Neurociência e Cognição da universidade e iniciou um trabalho voltado ao estudo do comportamento de animais. O doutorado em Yale por meio da Capes surgiu como uma oportunidade de desenvolver sua pesquisa em um ambiente diferente, tendo contato com outras pessoas que atuam nesse campo. “Só para dar um exemplo: tive a oportunidade, em Yale, de estudar semicondutores com o responsável pelo desenvolvimento do USB. É esse tipo de gente que você encontra; o ambiente te puxa para ser o melhor em sua área”, pondera.

Fonseca salienta ainda a importância dos recursos disponíveis em Yale. “A qualidade do ensino no Brasil é de ponta. O que existe de diferença é com relação ao treinamento. As grandes universidades dos EUA dispõem de muito mais recursos e laboratórios extremamente equipados.”

Pesquisa biomédica

Outra participante do programa, Bruna Mafra de Faria faz uma pesquisa focada no estudo do glioblastoma – considerado o tipo mais agressivo de tumor cerebral. Ela ingressou no curso de Ciências Biológicas, na modalidade médica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando se dedicou ao estudo de compostos naturais, com origem de plantas, como entes tumorais para o glioblastoma. “No início eu estudava dois compostos, e analisando quais eram seus efeitos nas células tumorais – ou seja, se eles conseguiam matar essas células ou se apresentavam efeito antitumoral”, afirma Bruna, acrescentando que continuou essa linha de pesquisa no mestrado.

A possibilidade de fazer parte da iniciativa desenvolvida pela Universidade de Yale e pela Capes surgiu quando saiu o edital. “No início achei que seria um processo muito burocrático, mas fiquei bastante interessada, sabendo que iria agregar muito no meu aprendizado. No final, vi que não era tão complicado e ainda fui aprovada.” Para Bruna, o fato de Yale dispor de bastante infraestrutura para a pesquisa biomédica será crucial para prosseguir com suas pesquisas. “Estou muito animada! Quero continuar na área de tumores, mas também aprender coisas novas”, afirma, acrescentando que pretende depois seguir para o pós-doutorado e continuar na carreira acadêmica.

Biotecnologia

As muitas possibilidades de avanços na ciência aplicada com a fusão dos conhecimentos da biologia com a física têm orientado a carreira de Gabriel Belem de Andrade. Bacharel em Biotecnologia pela Universidade Federal de São Carlos, com mestrado em Física Biomolecular pela Universidade de São Paulo, ele também desenvolveu pesquisas na área de neurobiologia, na Universidade de Idaho (EUA), durante intercâmbio promovido pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo brasileiro.

A experiência internacional ajudou Andrade a abrir os horizontes sobre as oportunidades que podem surgir com a interdisciplinaridade, um ponto que ele valoriza também no programa de doutorado de Yale. “O modelo de rotação entre os laboratórios de Yale é muito interessante porque permite ao aluno avaliar possibilidades que vão além do formato tradicional que temos nas universidades brasileiras”, afirma. Ele mesmo já tem uma relação dos laboratórios e linhas de pesquisa que pretende conhecer durante o programa, e que podem ajudá-lo no direcionamento dos estudos.

Outros pontos positivos destacados pelo pesquisador são os excelentes recursos e investimentos feitos pela Universidade de Yale nas áreas de Ciências e Tecnologia.