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Professor mais antigo da School of Music se aposenta aos 99 anos

                                                                                        

O professor brasileiro , de 99 anos de idade e que ensinava violoncelo há 60 anos na Yale School of Music (YSM), se aposentou no mês passado. Ele era o membro do corpo docente que servia há mais tempo na faculdade, desde 1958. Parisot fez sua estreia com a Orquestra Sinfônica Brasileira aos 12 anos de idade. Depois, em 1946, mudou-se para os Estados Unidos para estudar na YSM, e iniciou sua carreira norte-americana junto à Boston Symphony Orchestra na Tanglewood.

Aclamado internacionalmente como artista e professor, atraiu estudantes do mundo todo para estudar em Yale. “O legado de Aldo Parisot para a School of Music foi extraordinário. É impossível resumi-lo de maneira justa”, diz o reitor Robert Blocker. “Ele amava seus alunos mais que qualquer professor que eu já conheci”, completa.

 

A recompensa por tanta dedicação resultou em enorme carinho e reconhecimento por parte dos milhares de profissionais que ele ajudou a formar. Para o violoncelista Eric Adamshick, um antigo aluno, o professor “pensava em seus alunos como filhos” e a lição mais importante aprendida por ele enquanto estudava com Parisot foi abraçar sua individualidade como artista — “ser sua própria pessoa”. “Ele sempre se preocupava em dizer que não queria que fôssemos o próximo Parisot. Queria que nos tornássemos nós mesmos”, lembra.

 

Jenny Kwak, outra aluna do professor agora aposentado, também realça como ele dava ênfase à individualidade ao ensinar. Em vez de ordenar a maneira como interpretar as músicas, encorajava, para que sua personalidade surgisse nas apresentações, afirma. De acordo com ela, as aulas com Parisot eram diferentes a cada semana. Em alguns momentos, ele a interrompia quando estava começando a tocar, para compartilhar histórias de sua vida. Outras vezes, pedia que continuasse a tocar, “música atrás de música.”

 

Banda

Além de dar aulas particulares, Aldo Parisot liderava o Yale Cellos, um conjunto de violoncelistas estudantes da YSM, fundado por ele em 1983. O grupo realizou várias gravações e, inclusive, fez uma turnê internacional. “Yale Cellos foi o conjunto mais útil do qual eu fiz parte em Yale”, diz Adamshick. “Havia um senso de trabalho em equipe e Parisot exigia uma dinâmica, flexibilidade e escuta diferentes dos outros grupos que eu havia escutado antes.”

 

Ole Akahoshi, um professor de violoncelo da YSM que estudou com Parisot, o descreve como “um dos melhores professores de violoncelo do mundo”. “Ele é meu mentor, meu padrinho ou avô, e o mais importante de todos, meu melhor amigo”, diz. “Parisot continua a ser uma inspiração para mim na questão de me reavaliar conscientemente todos os dias, para me tornar um ser humano melhor”, completa.

 

No próximo ano, o violoncelista Paul Watkins ensinará aos estudantes de violoncelo na YSM, como um professor visitante. O também violoncelista Ralph Kirshbaum, outro antigo aluno de Parisot, conduzirá as aulas especiais e, possivelmente, dará aulas particulares durante o período acadêmico.

 

Além de suas habilidades musicais, Aldo Parisot também é um ávido pintor, cujas obras foram exibidas em galerias e salas de concerto ao redor do mundo.